Glaucoma

Glaucoma

O glaucoma é uma doença ocular que causa lesões irreparáveis no nervo óptico, as quais determinam perda progressiva do campo visual – a pessoa enxerga o que tem na frente, mas não o que está ao redor – e, posteriormente, se progredir, existe a perda da visão central.

Na doença, o humor aquoso, um líquido que mantém a pressão intra-ocular equilibrada, deixa de ser naturalmente escoado por causa de alguma obstrução. Essa falha no sistema de drenagem do líquido aumenta a pressão intra-ocular e a constância dessa elevação causa lesão do nervo óptico.

Estima-se que 13% dos casos de cegueira em todo o mundo sejam provocadas pelo glaucoma. Em geral, a doença acomete pessoas com mais de 40 anos, mas pode estar presente em crianças, evidentemente como uma doença congênita.

Causas e sintomas

O grande problema é que, a exemplo da hipertensão arterial, que desencadeia doenças cardiovasculares, todo esse processo de acúmulo do humor aquoso, elevação da pressão intra-ocular e desenvolvimento de lesões oculares vai se desenrolando silenciosamente, no tipo mais comum de glaucoma, o de ângulo aberto. Quando a pessoa nota a perda visual, o nervo geralmente já está muito prejudicado.

Contudo, existe uma forma da doença em que há sintomas, embora seja bem mais rara. Trata-se do glaucoma de ângulo fechado, no qual o indivíduo pode sentir dores fortes no olho e na cabeça e borramento da visão. Essa situação, porém, configura uma crise aguda de glaucoma e requer cuidados médicos imediatos.

No tipo de glaucoma mais freqüente, a falha no sistema de drenagem do humor aquoso decorre de uma alteração no ângulo da câmara anterior do olho, tanto em sua anatomia quanto em suas células. Essa alteração impede que o líquido seja escoado. Há situações, no entanto, em que esse sistema pára de funcionar sem explicação.

O glaucoma também pode ser secundário, ou seja, causado por alguma outra doença ocular, como um processo inflamatório (uveíte) ou uma hemorragia (traumática), e mesmo pelo uso prolongado de colírios que contêm corticóide.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico do glaucoma depende da realização de uma boa avaliação oftalmológica, que inclua a medida da pressão intra-ocular, o exame de fundo de olho (para pesquisar a existência de lesões do nervo óptico), e a campimetria, para verificar se há eventual perda do campo visual. Como as pessoas geralmente não apresentam sintomas, é comum a doença ser diagnosticada em um check-up oftalmológico de rotina.

Tratamento e prevenções

Inicialmente, o tratamento é feito com colírios, que servem tanto para baixar a pressão intra-ocular quanto para aumentar a drenagem do humor aquoso. Se os medicamentos não permitirem o controle da doença, o próximo passo é recorrer a técnicas cirúrgicas e terapias a laser para promover o escoamento do humor aquoso, todas passíveis de execução em regime ambulatorial.

Qualquer que seja o recurso, convém lembrar que as medidas terapêuticas só agem nos fatores que causam a lesão no nervo óptico – ou seja, baixam a pressão ou ajudam o líquido a ser drenado –, não servindo, portanto, para reverter a visão já perdida. Mas a instituição do tratamento mais adequado e um bom acompanhamento afastam substancialmente a possibilidade de perder a visão em decorrência do glaucoma. Daí a importância do diagnóstico precoce.

Em termos de prevenção primária, não há o que fazer para evitar o aparecimento do glaucoma. Por se tratar de uma doença silenciosa, a melhor medida é visitar anualmente o oftalmologista, a fim de controlar a pressão intra-ocular e rastrear lesões em estágio inicial e mínimas perdas de campo visual.

Os indivíduos que têm história da doença na família, os míopes e as pessoas das raças negra e asiática devem ser ainda mais rigorosos com esse acompanhamento, uma vez que sua predisposição para o glaucoma é maior.