Câncer de Pele

Câncer de Pele

O câncer de pele se caracteriza pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o revestimento externo do corpo, o que dá origem a tumores malignos, sobretudo em pessoas de pele clara, com sardas, cabelos claros ou ruivos e olhos claros. Pode ser de vários tipos, dependendo das células que dão origem ao tumor.

O carcinoma basocelular é o mais freqüente e responde por cerca de 70% de todos os casos, atingindo especialmente as pessoas com mais de 40 anos. Começa nas células basais da camada exterior da pele – a epiderme – ou nos orifícios de onde nascem os pêlos e, apesar de ser invasivo, com risco de atingir músculos, ossos e gordura à medida que vai crescendo, raramente gera novos tumores em outros órgãos ou estruturas – processo conhecido como metástase.

Já o carcinoma espinocelular ou epidermóide é o segundo tipo mais comum, sendo responsável por cerca de 25% dos casos de câncer de pele. Afeta mais a população masculina, com idade superior a 50 anos e é mais encontrado em pessoas de pele clara, com idade superior a 50 anos, que tomaram muito sol durante a vida. Também se inicia na epiderme, em sua camada média – camada espinhosa – é um pouco mais agressivo que o basocelular e pode causar metástase em alguns casos.

O melanoma, por fim, é o tumor de pele menos freqüente, totalizando cerca de 4% dos casos. Por apresentar alto potencial de disseminação das células malignas – metástases – e por ser resistente à radioterapia e à quimioterapia, é considerado o tipo mais grave de câncer de pele. Acomete adultos de qualquer idade e tem sua origem nos melanócitos, ou seja, nas células que produzem melanina.

No conjunto, os diferentes tipos de tumor de pele perfazem um total de mais de 123 mil novos casos a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Embora o índice de mortalidade seja baixo, a doença pode causar deformações e feridas importantes.

Como em qualquer outro câncer, a possibilidade de cura aumenta quanto mais precoce for o diagnóstico.

Causas e sintomas

A apresentação do câncer de pele também varia conforme o tipo de tumor. O carcinoma basocelular surge nas áreas mais expostas, como face, couro cabeludo, nariz, orelhas e pescoço. Inicialmente, aparece como uma lesão rosada, de superfície lisa e brilhante, com menos de um centímetro de diâmetro, a qual costuma aumentar e se transformar numa ferida que não cicatriza.

Por sua vez, o carcinoma epidermóide começa como uma área áspera que vai se tornando saliente e pode até formar uma ferida, semelhante à do tumor basocelular, mas mais cascuda. Atinge também as áreas mais expostas do corpo, embora possa surgir em mucosas, como nos genitais e na boca.

Por fim, o melanoma se manifesta tanto na pele normal, com o aparecimento de uma pinta escura e de contornos irregulares, que pode ser acompanhada de coceira ou descamação, quanto pela transformação de uma lesão pigmentada preexistente, que cresce, muda de cor e adquire bordas com visível irregularidade. No geral, os homens apresentam mais lesões no tronco, na cabeça e no pescoço, enquanto as mulheres têm mais áreas comprometidas em braços e pernas.

A radiação ultravioleta excessiva ocupa o posto de principal responsável pelo desenvolvimento de todos os tipos de câncer de pele, tanto a proveniente do sol quanto a das cabines de bronzeamento artificial. A exposição a esses raios é cumulativa, ou seja, a pele jamais esquece uma queimadura solar remota, pois essa agressão provoca mudanças no DNA das células, as quais, no futuro, podem ser decisivas para dar início ao processo de multiplicação celular anormal.

Por isso mesmo, entre as pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pele estão as que abusaram do sol na infância e na adolescência, as que tiveram queimaduras graves, as que trabalham ou praticam cotidianamente esportes e atividades ao ar livre e também as que vivem em países ensolarados e têm pele clara.

Como de praxe, o componente genético sempre existe e, portanto, a história familiar desse tumor igualmente constitui um fator de risco, assim como a presença de uma grande quantidade de pintas espalhadas pelo corpo.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da grande maioria dos cânceres de pele é clínico, feito apenas por meio da inspeção visual da pele, uma vez que os olhos treinados do dermatologista já conseguem notar lesões, pintas ou áreas suspeitas, por mínimas que sejam.

Apesar disso, a confirmação da doença depende da realização de uma biópsia, procedimento no qual fragmentos da região afetada são removidos para posterior análise da natureza de suas alterações – se benigna ou maligna.

Quando surge uma pinta suspeita, o dermatologista pode lançar mão da dermatoscopia, um exame não invasivo que permite maior acurácia no diagnóstico. Persistindo a dúvida, a lesão deverá ser retirada por meio de biópsia, para ser examinada.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende do tipo de lesão. Em geral, os tumores não-melanoma podem ser extirpados pela cirurgia, pela cauterização, pela aplicação local de quimioterapia ou pela terapia fotodinâmica, que combina substâncias fotorreagentes com uma fonte de luz para a destruição da lesão.

Já existe até um creme tópico usado para eliminar alguns tipos superficiais de tumores basocelulares, valendo-se do mesmo princípio da imunoterapia, ou seja, de estimular o sistema imunológico a combater as células malignas.

O melanoma, contudo, requer invariavelmente uma cirurgia para a remoção do tumor e dos tecidos adjacentes e, nos casos mais graves, também dos gânglios próximos para evitar futuras metástases.

Durante a exposição solar, todas as pessoas devem usar chapéu e protetor solar com FPS no mínimo 15, o qual precisa ser reaplicado a cada duas horas ou sempre depois do mergulho, do exercício ou de muita transpiração. É importante, ainda, evitar o sol no período das 10 às 16 horas, quando os raios ultravioleta B, mais danosos para a pele, são mais abundantes.

Além dessas precauções, as entidades dermatológicas recomendam o auto-exame periódico para a detecção de lesões no estágio inicial. Nessa inspeção, toda a pele e todo o couro cabeludo devem ser observados em busca de lesões. Para detectar lesões precoces de melanoma deve-se usar a regra do ABCD do melanoma que valoriza algumas características específicas das manchas e pintas: assimetrias, bordas irregulares, cor de diferentes tonalidades e diâmetro maior que seis milímetros.

Outros sinais de alerta incluem feridas que não cicatrizam em mais de quatro semanas, mudanças na textura da pele e pintas e manchas que crescem e sofrem alterações de cor e tamanho. Qualquer achado semelhante é motivo suficiente para visitar um dermatologista.

Por último, as pessoas com história familiar de câncer de pele e/ou com grande quantidade de pintas precisam de acompanhamento regular desse especialista para que qualquer alteração suspeita seja identificada no começo.